22/12/2009
Memorizando…
Comecei há poucos meses o meu trabalho como voluntária no Centro Social Polivalente do Bairro Padre Cruz, nomeadamente no centro de dia.
Com muitas valências, este centro trabalha principalmente o dia-a-dia das pessoas que disfrutam deste espaço.
Por mim, começando o trabalho um bocadinho a medo (porque o que eu queria era crianças mas, como me disseram que faltava era ajuda nos idosos, não consegui dizer que não!), comecei a observar o que a monitora do centro de dia fazia e era um trabalho espetacular, diga-se de passagem…
Desde relaxamento, a actividade motora!
Comecei a perceber que os velhos não são chatos nem trapos…comecei a perceber que o que eles querem é atenção e, como na minha primeira reunião me falaram na “oficina da memória” pensei que o Natal fosse uma altura extremamente adequada para começar a trabalhar essa nossa ferramenta.
Tive a ideia de eles me contarem como era o Natal deles quando tinham a minha idade e ouvi um pouco de tudo: Natais bons, Natais maus…mas acima de tudo, ouvi que a família era preciosa, que o menino Jesus trazia as prendas para o sapatinho que estava na chaminé, e, apesar de as prendas serem de muito pouco valor monetário, são prendas que eles se lembram para o resto da vida, como uma simples boneca de “celoide”!
Depois, na continuidade da memória, pedi que me trouxessem um objecto com significado de casa e contarem-me uma história através desse objecto…levaram copos, colheres super antigas, e fotografias de maridos…Deliciam-se cada vez que contam as suas histórias, choram muito…
Mas eu acho que o chorar faz bem e que lhes faz esquecer do dia a dia repleto de doenças e amargura. O objectivo é mesmo recordar todas as memórias mais quentinhas que tiveram.
Porque por muito má que uma vida seja…há sempre um bom acontecimento!
Afinal de contas, o que somos nós sem a nossa memória?
A memória é a nossa identidade e, se não a trabalharmos…as nossas vivências caiem no esquecimento!
Ao fim e ao cabo, esta experiência superou todas as minhas expectativas e não, os velhotes não são trapos, são eles que devem ensinar à sociedade como era a vida antes do consumismo e da alienação completa da população, é esse o seu papel!